Um agente de mudança

17 mar

Gustavo Leturiondo, 20 anos, estudante de engenharia civil da Universidade Estadual do Amazonas, UEA.

Com o intuito de desenvolver seus aspectos culturais, seu lado profissional e sua compreensão da língua inglesa, encontrou no programa Cidadão Global da AIESEC uma grande oportunidade. O programa oferece ao jovem universitário a oportunidade de realizar trabalhos voluntários no exterior desenvolvendo seu espírito empreendedor, sua sensibilidade cultural e responsabilidade social.

Após o processo seletivo para intercambistas, Gustavo iniciou sua busca entre os milhares de projetos espalhados pelos 111 países onde a organização está presente. Enquanto fazia sua busca, aproveitou para interagir com a membros da AIESEC, intercambistas locais e estrangeiros, afim de viver desde já a experiência em um ambiente global.

Em janeiro fez a sua escolha: Sérvia. Sua viagem teve início no dia 24 de janeiro, no dia 25 chegou em Belgrado, mas seu projeto era em Valjevo, cidade situada no oeste do país.

No projeto “Torne Possível”, Gustavo vai a colégios dar palestras sobre sustentabilidade ambiental, saúde materna, mortalidade infantil, igualdade de gênero e combate ao HIV e malária.

Nesta cidade, Gustavo não aprende somente uma postura profissional, aprende uma nova cultura, uma nova maneira de viver, conhece pessoas que provavelmente jamais conheceria, não fosse a AIESEC. Para ele, estar sozinho em um lugar e em uma experiência jamais vivida, sair da zona de conforto e superar seus limites, representam o alcance de seus principais objetivos, seu desenvolvimento não só profissional, mas também social e pessoal.

“Lidar com pessoas com o mesmo ideal e mesmo pensamento que você, te leva a crer que ainda há uma solução para um futuro melhor, mesmo quando essas pessoas estão do outro lado do mundo.

Saber que estando na AIESEC podemos descobrir e desenvolver o nosso potencial de liderança, nos destacar no mercado de trabalho e impactar positivamente a sociedade, é o que me motiva cada vez mais a permanecer nessa instituição. Quando voltar para Manaus pretendo continuar trabalhando na AIESEC e implementar novas ideias adquiridas durante meu intercambio.”

Ser um intercâmbista da AIESEC é sempre estar em contato com outras culturas mesmo antes de ir para o intermcâmbio, buscar o desenvolvimento e viver a diversidade na sua experiencia em outro país, exercitar o inglês e a língua nativa. Ser um intercambista da AIESEC é desfrutar de uma das melhores coisas da vida: Conhecer o mundo e a si mesmo.

Isso é AIESEC!

Uma experiência de crescimento

13 mar
ImagemLiderança. Ideal. Empreendedorismo. Responsabilidade social. Sustentabilidade.
Desenvolvimento de comunidades. Paz mundial.

São essas as primeiras palavras que vem à cabeça de Hiara, 21, estudante de Administração, quando pensa na sua fase como membro da AIESEC Manaus. Hiara ingressou na AIESEC em 2011 e desde lá já desfrutou de várias oportunidades de desenvolvimento dentro da organização. Em fevereiro deste ano , ela teve que mudar de cidade e deixou a AIESEC, porém com planos de levar a organização pra o Rio Grande do Norte, cidade onde vai residir.

Conversamos um pouco com a Hiara no intuito de compartilhar a experiência que ela aqui viveu.

 

O que lhe chamou mais atenção na AIESEC antes de ingressar na organização?

Antes de fazer o processo seletivo da AIESEC sabia que ela era uma organização universitária que promovia intercâmbios sociais e profissionais.

Pode-se contar nos dedos os jovens que existem por aí que param suas vidas confortáveis para se preocupar e sonham em alcançar o grau de excelência em todos esses assuntos, principalmente em um mundo moderno que banaliza qualquer tipo de mudança e tudo que já foi tradicional como o amor, a educação, a gentileza e a intelectualidade.

Hoje posso dizer com firmeza que conheço, no mínimo, 80 jovens que se preocupam com isso em Manaus. Talentos emergidos em uma rede de contatos maior ainda no Brasil e no mundo, a nossa AIESEC. Sei também que eles não apenas se preocupam como fazem algo a respeito. Sei dizer exatamente o que fazem, como fazem, quanto ganham financeiramente por isso, porque continuam fazendo, o que acende a chama em todos e não a deixa apagar. A AIESEC funciona sem lucros em reais ou dólares, mas em emoções, capacidades, crescimento pessoal e profissional.

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Discovery Day da AIESEC Manaus 2011/2

Quais foram os seus passos dentro da AIESEC? Como você trabalhou seu voluntariado?

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Rafael Moreira, presidente da AIESEC Manaus (à esquerda) e o Time de Comunicação e Marketing 2012

Fui alocada no time de Comunicação & Marketing depois de analisarem o meu perfil e por lá fiquei até hoje. Simultaneamente conheci outros desafios em outros times, aprendendo que antes de ser uma organização social, a AIESEC é uma plataforma de desenvolvimento.

Consegui impactar meu escritório local, AIESEC em Manaus, primeiramente em Comunicação, depois apresentando a organização para membros novos que, como eu, entraram sem a real noção do que iriam fazer parte, da incrível experiência de vida que teriam e de quantos exemplos de jovens iriam conviver a partir de então. Fui responsável pela logística de um evento que não poderia ter um melhor nome: Discovery Days. A partir dali, tenho certeza de que muita gente se tornou outra pessoa e enxergou bem mais que as quatro pontas de seus computadores pessoais e passaram a se dar conta de tantas pessoas a quem podem impactar ensinando línguas, questões globais, culturas e tolerâncias, enfim, princípios.

Participei do time de Sustentabilidade (carinhosamente chamado Ecolíbrio), mapeando processos dos intercâmbios sociais para estudantes, proposto por nosso parceiro nacional, era o II Desafio Charles Goodyear de Sustentabilidade e Inovação, para tornar os nossos meios financeiramente sustentáveis, socialmente possíveis e ambientalmente responsáveis, resumindo tudo em um vídeo com nossas propostas, além de um workshop e uma paralisação no Amazonas Shopping:

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Comitê Organizador do Discovery Days 2011/s e companheiros.

http://www.youtube.com/watch?v=wwIUA5eS0Sc&feature=youtu.be

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Time do Handover 2011

Minha terceira experiência foi uma grande oportunidade que dificilmente teria em outro lugar com a minha idade. Organizei um evento para 150 pessoas em 1 mês com 3 pessoas, o Handover, vivendo uma experiência de liderança por mim mesma, com a ajuda do meus 3 membros.

Os ganhos pessoais e profissionais para mim transcendem toda a carga de responsabilidade e expectativas, desde a aprender a encaixar pessoas diferentes para que se crie uma equipe até como elaborar um planejamento estratégico para se atingir metas propostas.

Dali a um mês estava eu liderando minha segunda equipe, com mais três pessoas diferentes para trabalhos ainda mais específicos e ganhos pessoais tão enriquecedores que me encheram de orgulho.

Qual o diferencial do  intercambio apresentada pela AIESEC?

Não levamos ou trazemos intercambistas para passear, enviamos e recebemos jovens para doar conhecimento e adquirir habilidades em outros países, práticas culturais e agregar na sua terra natal. Jovens que se importam com o mundo em que vivem, com as gerações futuras, com as oportunidades perdidas por comunidades que aparentemente não sabem falar por si mesmas, mas só precisam que alguém mostre que elas têm voz. E é assim que a AIESEC cresce e impacta 111 países e bilhões de pessoas.

Qual o impacto que você acredita ter causado em Manaus?

Foi maravilhoso, ao longo desse tempo, me deparar com presidentes de ONGS agradecendo pela nossa ajuda, reconhecendo o impacto que os trainees causaram em suas vidas, empresas sendo contatadas ouvindo nossas propostas, senhores e senhoras que nos elogiaram por estarmos reunidos em um domingo de manhã debatendo liderança e responsabilidade jovens, pais percebendo a mudanças em seus filhos e se tornando participativos também e pessoas comuns, amigos inclusive, se transformando em exemplos.

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Felipe, Will e Jonas. Membros de sua última coordenadoria na AIESEC Manaus.

Quais as lições que você teve com essa vivência e o que você espera carregar com você?

A vida nos desenvolve muito, é a nossa maior mestra. No entanto, raros são os momentos que reparamos sobre as consequências das escolhas e qual o enriquecimento que cada desafio superado está nos proporcionando. A AIESEC nos mostra isso e está aqui para todos. Depois dela, tenho esse exercício internalizado em mim e carrego para a vida! Sou mais empoderada de mim mesma, confiante e, até mesmo, mais livre, com a certeza de que realmente estou fazendo a minha parte: ser uma pessoa melhor, ajudar pessoas, fazer com que sejam melhores.

E por último, mas não por ‘fim’, hoje me despeço da organização em Manaus, com planos de levá-la comigo para a cidade que vou me mudar, continuando uma tradição de mais de 60 anos no mundo, 40 no Brasil e 1 ano em minha vida. Vai ser uma história que contarei aos meus filhos e farei com que a vivam intensamente, como eu vivi, curtindo a participação na melhor experiência que tive até hoje. E está só começando!

Isso é AIESEC!

Como ser um jovem motivado hoje em dia?

1 mar Mario Montes e Caroline do Vale. Dois jovens que vivem em hemisférios diferentes, porém motivados a se desenvolver e causar um impacto positivo na sociedade

Mario Montes e Caroline do Vale. Dois jovens que vivem em hemisférios diferentes, porém motivados a se desenvolver e causar um impacto positivo na sociedade

Faculdade, trabalho, família, namorado(a), amigos… Os jovens têm de lidar com um turbilhão de acontecimentos, projetos, planos e ações no dia a dia. A vida contemporânea exige que a juventude amadureça mais rápido e acompanhe o mundo globalizado. Assim, se manter motivado às vezes é difícil. Por isso é sempre bom ter em mente quais atitudes tomar pra se manter disposto e preparado pros desafios do cotidiano. Atitudes simples podem ajudar muito para o bem-estar e algumas dicas são sempre válidas.

- Mente sã, corpo são

Pensar positivamente é um bom caminho para manter o corpo saudável. Pessoas negativas também estão inclusas, pessoas invejosas sempre existirão, mantenha-se longe com seu sucesso e descobertas. Cuide da sua saúde, não apenas com uma alimentação balanceada, mas trace um compromisso com as atividades físicas sempre que tiver uma hora livre.

- Aproxime-se dos motivados

Lauana Costa - Diretora de Desenvolvimento da AIESEC Manaus. Já participou de inúmeras conferências com líderes nacionais. Acima escontra-se na AIESEC FGV onde também estamos presentes.


No trabalho fique próximo a pessoas motivadas e se espelhe em estratégias de sucesso. Tal energia motivadora é recíproca e tornará a sua equipe mais preparada para momentos de crise.


- Tenha objetivos, mas mantenha-se flexível

Frequentemente, para alcançar uma meta, se faz necessário mudar as estratégias. Ao longo do tempo as suas prioridades podem mudar. Não se frustre, atente ao que for melhor pra você e atente aos seus limites.


- Lembre-se de suas origens

Lembrar de tudo o que passou pra chegar onde você estar é importante. Quando se lembra o que viveu, as pessoas e lugares que conheceu, atenta-se  melhor para coisas que ainda estão por vir e o que você ainda pode alcançar.

- Comemore seus erros

Suas lições mais importantes na vida virão a partir do que você não conseguir. Tire um tempo para entender onde falhou. Saiba extrair o melhor de todas as situações, inclusive e principalmente das piores. Aprenda com a experiência. Não agir é a única falha real.

- Pense antes de falar

Mantenha silêncio em vez de expressar algo que não serve ao seu propósito. A máxima diz: não é por acaso que temos dois ouvidos e uma boca.

- Aposte na excelência, não no inatingível

Corremos o risco de traçarmos metas absurdas, exige-se muito que tudo fique perfeito, porém o perfeccionismo em excesso atrapalha e faz com que a satisfação nunca seja alcançada. Não seja perfeccionista. Contudo, ao se comprometer com algo, prefira o “eu quero” ao “eu vou tentar”. Os objetivos são a alma da conquista.

Atue com um propósito maior 

Qualquer atividade ou ação que não servir o seu objetivo maior é esforço desperdiçado – e deve ser evitado. Pode-se perder muito tempo e esforço com atividades que são completamente dispensáveis, gerando desgaste.

Camilo Bringel - Membro do Time Nacional de Auditoria. Ingressou na AIESEC em 2010. Buscando desenvolvimento e impacto, realizou um trabalho voluntário em Moçambique no ano passado.

- Seja responsável pelos seus resultados

Assuma seus erros e seus acertos. Não culpe o acaso, outra pessoa, o tempo (ou a falta dele) pois saber geri-lo também é importante.

- Estenda seus limites

Não se acomode com as mesmas atividades, se você tiver uma oportunidade de fazer algo diferente e que lhe agregue, vá em frente. Andar por caminhos antigos é como envelhecer. tente o novo, evolua.


- Não se acomode com o sucesso

O sucesso de hoje pode ser o fracasso do amanhã. Sempre busque estar atualizado, melhorar seus métodos e sua maneira de atuar no que quer que seja. O que é novo hoje não será mais amanhã, não fique pra trás.

Incluir e praticar essas dicas em sua vida pode aumentar a produtividade e a satisfação pessoal, atrair coisas boas para o negócio, prosperar o sucesso. Todo o resto, com o suor do trabalho diário, pode ser alcançado.

Isso é AIESEC!

Fonte:
http://migre.me/7WNrd

http://migre.me/7WNrQ

AIESEC em Manaus realiza último processo seletivo do ano para Intercambistas

1 dez

A organização Internacional AIESEC, reconhecida como a maior organização de jovens pela Unesco, realiza em Manaus, no dia 03 de dezembro, às 9h, na Athus Idiomas (Rua Huascar de Figueiredo, 55 – Centro), o último processo seletivo em 2011 para aqueles que desejam fazer Intercâmbios para um dos 110 países no quais a organização está presente.

Para participar do processo seletivo, basta ter entre 18 e 30 anos, estar cursando ensino superior ou ser formado há no máximo três anos e possuir inglês intermediário. As inscrições podem ser realizadas pelo site www.aiesec.org.br ou no sábado, mediante pagamento de 10 reais ou apresentação de dois quilos de alimento não perecível para doação a um dos parceiros da Organização.

De acordo com Gabrielle Castilho, diretora de Intercâmbios para estudantes, ao longo de 2011 foram selecionados mais de 20 pessoas, dentre as quais algumas já viajaram para lugares como Moçambique, Itália, Holanda, Índia, Rússia, China, Turquia, Bolívia e outras ainda esperam o dia da viagem que será para Ilhas Maurício, Hungria, Sérvia e outros. “Apesar de a AIESEC existir em 110 países, os principais destinos são leste europeu, África, América Latina e países do BRIC. Nesses lugares, além das pessoas adquirirem uma visão de mundo diferenciada, elas podem trabalhar em sua área de atuação. Temos muitos projetos na área de gestão, saúde, marketing, ensino de idiomas e culturas, fundraising, dentre outros”, explica.

Segundo Rafael Moreira, presidente eleito da AIESEC em Manaus, a experiência na organização é, também, um diferencial para o currículo. “Hoje, o mercado de trabalho busca pessoas que tenham um diferencial. Por isso, a experiência Internacional e em uma organização voluntária é muito valorizada. O intercâmbio e a experiência vivida enquanto membro da organização faz da pessoa alguém mais preparado para o futuro. A experiência profissional que a AIESEC oferece é, sem dúvida, algo que enriquece currículo”.

“Fazer um intercâmbio cultural é importante para se desafiar, abrir a mente, vê como o mundo lá fora funciona. Além de proporcionar amizades e momentos inesquecíveis, acrescenta muitos valores para a nossa vida profissional e pessoal. É a forma de aprender novas culturas, novos valores, novos costumes… O grande diferencial que eu vi no intercâmbio da AIESEC, é a oportunidade de causar um impacto positivo na sociedade do país aonde vamos através de diversos projetos. Não só nós que vamos fazer intercâmbio desenvolvemos nossos potenciais, mas também as pessoas ao nosso redor”, contou o estudante de administração da UEA, Milson Barros, que vai realizar seu segundo intercâmbio, sendo o primeiro pela AIESEC.

O maior evento de diversidade cultural que Manaus já viu

16 ago

Você já parou pra pensar que há pessoas que escolhem ganhar dinheiro e outras que escolhem fazer a diferença no mundo?

9 ago

“Negócios Sociais podem sim reduzir a pobreza e aumentar a qualidade de vida e nós somos a geração responsável por esse impacto”  – Lauana Costa, embaixadora Choice em Manaus

fonte: http://www.choice.org.br/index.php 

O mundo hoje se encontra em um cenário caótico, temos problemas globais como a fome, a educação, violência,  pobreza. Mas e se pudéssemos fazer diferente? E se entre ganhar dinheiro e construir algo que trouxesse melhoria na qualidade de vida, pudéssemos ficar com os dois?

Negócios Sociais, economicamente rentáveis que por meio de sua atividade principal, buscam soluções para os problemas sociais de uma comunidade, possibilitando acesso a produtos ou serviços atendendo as necessidades básicas através da Inovação.

A Artemisia, pioneira em negócios sociais, que inspira, desenvolve e articula as pessoas, lançou como principal movimento a Conferencia CHOICE, que será a primeira Conferencia da América Latina sobre Negócios Sociais. O movimento começou com 50 universitários de 9 estados diferentes, responsáveis por difundir conhecimento sobre essa maneira inovadora de fazer negócios.

A 1ª Conferência de Negócios Sociais será nos dias 18 e 19 de Agosto, na cidade de São Paulo. Esse é o convite para universitários inquietos e inovadores que querem fazer parte da nova geração que está mudando a forma de fazer Negócios e a Artemisia traz empreendedores, acadêmicos e representantes de organizações que estão construindo o campo de negócios sociais no Brasil e no mundo.

Para maiores informações acesse: www.choice.org.br

Sobrevivente do Holocausto na Segunda Guerra Mundial vem a Manaus

28 jul

fonte: http://portal.ufam.edu.br/

                                                                                                                  

            Nascido na cidade polonesa de Lodz em 1924, Henry Nekrycz, mais conhecido pelo pseudônimo de Ben Abraham, é um dos sobreviventes do Holocausto judeu ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial. Vivendo no Brasil desde 1955, Ben Abraham naturalizou-se em 1957 e dedica sua vida a escrever e ministrar palestrar sobre a experiência que viveu. Em visita a Manaus, o jornalista e escritor falou para mais de trezentas pessoas no auditório Eulálio Chaves, a maioria do público composta por estudantes do Centro Educacional Lato Sensu. Aqui foram compiladas algumas das principais perguntas feitas ao sobrevivente e suas respectivas respostas.

            Como era a vida dos judeus na Europa antes do advento do nazismo?

            A vida dos judeus na Polônia, onde eu vivia, já era uma desgraça muito antes do nazismo. Éramos considerados cidadãos de segunda e terceira classe, sem uma série de direitos e benefícios dos quais dispunham os poloneses. Pagávamos impostos mais altos, podíamos ser despejados a qualquer momento, sem qualquer motivo. Nas universidades havia um número máximo de judeus permitidos e nas salas de aula uma fileira era separada para os judeus, o que chamávamos de “gueto de cadeiras”. Hitler fez o trabalho sujo que todos queriam fazer, mas ninguém teve coragem. Durante a guerra, navios cheios de judeus foram enviados a vários países, inclusive os Estados Unidos, e mandados de volta ao porto de origem.

            Como foi o início das perseguições?

            Quando os alemães chegaram à minha cidade, todos correram para vê-los desfilando com seus uniformes pardos, carros blindados e todo o aparato de guerra nazista. Não demorou para que as medidas contra nós fossem tomadas. Primeiro nos foi proibido circular nas ruas principais, depois fomos obrigados a usar estrelas de Davi amarelas com a inscrição “Jude” nos braços e nas costas. Os alemães cortavam e arrancavam as barbas dos religiosos, atiravam aleatoriamente em pessoas do gueto, homens eram fuzilados nas ruas principais, na frente de suas mães, esposas, filhos e irmãos.

            Como era a vida no gueto?

            No gueto faltava comida e não havia aquecimento. Por causa do frio, muitos adoeciam. Os alemães instalaram uma fábrica de uniformes e armamentos leves onde éramos obrigados a trabalhar. Todos os inaptos para o trabalho (idosos, crianças, doentes, mulheres grávidas) eram levados num caminhão para um lugar desconhecido. Depois da guerra soubemos que eles eram asfixiados dentro desses caminhões e seus corpos enterrados em valas comuns. Meu pai adoeceu e morreu por falta de cuidados no gueto. Ele sofreu tanto que lembro de minha mãe ter dito: “Graças a D-us que ele morreu.”

            Como foi a transferência para os campos?

            Em 1943 nós fomos enviados ao campo de Brauschweig. Éramos transportados em vagões apertados, muitos estavam doentes, o cheiro era insuportável. Quando chegamos ao campo, fomos recebidos a chicotadas e separados em três grupos: homens, mulheres e inaptos para o trabalho. Esses eram enviados diretamente para as câmaras de gás. Muitas mulheres recusavam-se a se separar de suas crianças e eram levadas junto com elas. Os dois outros grupos passavam por uma seleção às vistas de um oficial alemão. Os que eram considerados aptos para o trabalho iam para a direita e os que eram considerados inaptos, para a esquerda. Passei pela seleção ao lado da minha mãe. Eu fui para a direita e ela para a esquerda. Foi a última vez que a vi. Depois disso ainda fui transferido para Watenstadt, Ravensbruck e, por fim, Auschwitz. Tínhamos que caminhar vários quilômetros no frio entre um campo e outro. Muitos caíam de cansaço e eram fuzilados no meio do caminho.

            Como era a vida nos campos?

            Recebíamos uma miséria de comida e éramos obrigados a trabalhar o dia todo. Esperávamos ansiosamente pelo dia do Yom Kipur (quando os judeus jejuam), pois nos era dado uma sopa reforçada. Muitos se jogavam nas cercas eletrificadas para morrer. Para manter minha sanidade e o meu otimismo, eu marcava um dia no calendário como o dia da minha libertação e contava regressivamente até ele. Quando o dia chegava e eu ainda não havia sido libertado, eu escolhia outra data e começava a contar novamente.

            Como foi a sua libertação?

            Na noite do dia 01 de maio os aliados libertaram Auschwitz. Quando os soldados, que eram principalmente jovens americanos e ingleses, viam o estado das pessoas, eles choravam e escondiam o rosto.  Eu pesava 28 quilos, tinha tuberculose nos dois pulmões, escorbuto e disenteria com sangue. Passei vários meses nos hospitais aliados para me recuperar das minhas seqüelas.

            Você guarda algum ressentimento contra a Alemanha pelo que aconteceu na Segunda Guerra?

            O povo alemão tem tomado muitas medidas para reparar os erros cometidos durante o Holocausto. Eu mesmo já visitei a Alemanha e dei palestras em escolas e universidades a convite do governo alemão. No entanto, eu não posso perdoar o que aconteceu, já que eu fui apenas uma das 6 milhões de vítimas das atrocidades nazistas, além dos milhares de ciganos, homossexuais, deficientes, eslavos, comunistas e testemunhas de Jeová. Acredito em medidas para reparar o que aconteceu, mas não em perdão.

            Você acredita que o povo judeu poderia ter agido de forma mais agressiva para evitar o que aconteceu durante o Holocausto?

            Não é possível que uma pessoa que viva em tempos de paz, alimentada e confortável, possa conceber o que vivemos naquela época. Quando se vê seus parentes, amigos e vizinhos serem assassinados diariamente, pessoas morrerem de doenças, fome, quando não se pode dormir por causa das dores no estômago; a única coisa em que se pensa é em sobreviver por mais uma hora ou duas. Mesmo assim, no gueto de Varsóvia, rapazes e moças munidos de armas obsoletas compradas a preço de ouro dos poloneses se levantaram e desafiaram a maior máquina de guerra que existia na face da Terra. Sem qualquer chance de vencer ou sobreviver, eles lutaram e resistiram mais tempo que a Polônia e apenas uma semana a menos que a França, a Bélgica e Luxemburgo.

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